quinta-feira, 7 de agosto de 2014

CPI do Banestado

Jornal do Brasil
CURITIBA - O delegado da Polícia Federal José Francisco Castilho Neto disse ontem à CPI estadual que investiga o envio ilegal de dinheiro para contas do Banestado no exterior que falta muito pouco para chegar à ponta final do esquema que pode ter desviado US$ 124 bilhões. Segundo Castilho, as operações só foram possíveis graças à conivência de autoridades e políticos brasileiros.

- A CPI do Banestado será a CPI das CPIs - disse Castilho. O delegado considera o caso ''o maior roubo de que se tem notícia na história brasileira''.

O delegado da PF não citou nomes, mas disse que o mapeamento de mais de 8 mil depositantes e de mais de 140 mil registros de transações estão prontos. A CPI também ouviu o perito da PF Renato Barbosa.

Segundo os funcionários da PF, mais de 90% do movimento da agência de Nova York se davam por meio de apenas 137 contas e que um doleiro, sozinho, chegou a movimentar US$ 800 milhões.

O esquema movimentava US$ 30 milhões por dia, em operações de bancos paraguaios que aproveitavam a exceção aberta pelo Banco Central para contas de não-residentes, as chamadas CC5, na região de Foz do Iguaçu.

Sob a justificativa da grande movimentação comercial na fronteira, com muitas compras de brasileiros no país vizinho, o banco permitiu que lá as CC5 pudessem movimentar volumes acima de R$ 10 mil, sem identificação. A CPI aprovou o pedido de quebra de sigilo de toda a documentação em poder da PF. A Assembléia Legislativa quer saber por que o BC não interveio no Banestado antes. Segundo os deputados, o BC sabia que a contabilidade da instituição paranaense vinha sendo manipulada desde 1997. Os deputados querem saber por que o BC ''permitiu que o Banestado promovesse a maior lavagem de dinheiro da história do Brasil''.

A última viagem de Castilho e Barbosa como integrantes de uma equipe liderada pelo Ministério Público Federal foi em abril deste ano. Segundo Castilho, mais três meses nos Estados Unidos seriam suficientes para rastrear, fora do Brasil, os R$ 124 bilhões movimentados em contas CC-5 de 1992 a 1998. As contas tiveram o sigilo bancário quebrado em decorrência de uma ação do procurador da República Celso Três, em 1999.

No entanto, as investigações estão interrompidas há 36 dias. De acordo com o diretor-geral da PF, Paulo Lacerda, Castilho foi afastado porque não havia mais dinheiro para mantê-lo no exterior.

Na visão de Castilho, trata-se de uma oportunidade única de investigar os crimes financeiros cometidos no Brasil. Boa parte da documentação já foi levantada com o avanço que a equipe obteve dentro do sistema financeiro americano.

Castilho lamentou a interrupção porque os levantamentos estavam ''no ápice'' e contavam com o auxílio das autoridades americanas, motivadas pelo desejo de rastrear o financiamento a terroristas internacionais.

- Interromper um trabalho que tinha avançado enormemente pode dar aos criminosos tempo suficiente para diluir provas, principalmente quando se trata de desvio de dinheiro - criticou.

Castilho e Barbosa confirmaram que passam a trabalhar com o procurador da República Luiz Francisco de Souza em inquéritos derivados das investigações no Banestado, a pedido do procurador. Castilho acrescentou que não relaciona seu afastamento a uma possível articulação para evitar a instalação da CPI na Câmara.

Fonte: http://www.rebelion.org/hemeroteca/brasil/030613jornal.htm

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